O Livro das Religiões – Jostein Gaarder

 

“O Livro das Religiões” é um compêndio que agrega todas as formas de religiosidade, expondo semelhanças e diferenças ao mesmo tempo que as contextualiza. Jostein Gaarder, autor de “O Mundo de Sofia”, juntamente com Victor Hellern e Henry Notaker, debruça-se sobre este universo complexo das religiões – algumas caracterizadas pelo tipo de crença em que são fundamentadas, outras pela bagagem histórica que trazem consigo há séculos. Não são só apresentadas as religiões actuais mas também deuses desconhecidos ou ainda o ponto de vista de pessoas que não têm religião. De uma forma geral, o livro mostra, com simplicidade, todas as perspectivas existentes dentro da religião.

 

Um rápido olhar para o mundo ao redor mostra que a religião desempenha um papel bastante significativo na vida social e política de todas as partes do globo. Ouvimos falar de católicos e protestantes em conflito na Irlanda do Norte, cristãos contra muçulmanos nos Balcãs, atrito entre muçulmanos e hinduístas na Índia, guerra entre hinduístas e budistas no Sri Lanka. Nos Estados Unidos e no Japão há seitas religiosas extremistas que já praticaram atos de terrorismo. Ao mesmo tempo, representantes de diversas religiões promovem ajuda humanitária aos pobres e destituídos do Terceiro Mundo. É difícil adquirir uma compreensão adequada da política internacional sem que se esteja consciente do fator religião.

Três religiões dominam a África moderna. O cristianismo se encontra sobretudo no Sul e ao longo dos litorais leste e oeste. O centro do islão fica da África setentrional árabe, mas historicamente essa religião sempre teve penetração também ao sul do Saara. Há, por fim, as religiões primais, ou tribais, ou tradicionais, as mais difundidas antes da invasão cultural ocidental e árabe. Na África moderna, a estrutura tradicional baseada na aldeia está desaparecendo e, juntamente com ela, o fundamento das antigas religiões, que era a vida familiar e tribal.

Em várias ocasiões os judeus assumiram um papel de liderança nos países onde se estabeleceram. A altura judaica conheceu um apogeu na Espanha dos séculos XII e XIII. Aí um dos seus maiores filósofos foi o rabino Moisés ben Maiman (Maimônides), que escreveu várias obras e resumiu os ensinamentos judaicos nos Treze princípios da fé judaica. Nesse país floresceu também o misticismo judaico, a cabala (ou “tradição”).

De que o homem deve ser salvo? A Bíblia indica que a salvação significa se libertar do poder que o pecado exerce sobre o homem. É comum que os sentimentos de culpa venham após o pecado. Hoje em dia, tanto o pecado como a culpa muitas vezes são vistos como algo social ou colectivo e não individual. Mas até isso é uma ideia bíblica: não é apenas como indivíduos que somos culpados aos olhos de Deus. Nós pertencemos a uma humanidade culpada.

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