O Fio da Navalha – os diferentes sentidos da vida

 

W. Somerset Maugham traz-nos uma história sobre a busca do sentido da vida pelas várias personagens do drama.

Larry, uma das personagens principais, questiona o significado da condição humana ao se confrontar com a morte, o que o leva a embarcar numa jornada espiritual rumo àquilo que considera ser a sua felicidade interior – mesmo que implique recusar viver de acordo com as convenções impostas pela sociedade.

Por outro lado, Elliot e Isabel procuram comportar-se da forma como a sociedade espera que o façam, no sentido que alcançarem uma boa posição social e uma participação activa no meio.

Com efeito, somos confrontados com personagens que almejam sentidos de felicidade distintos, fazendo-nos questionar o que é que na vida realmente importa, qual é o caminho para a felicidade mas ainda assim ter a tolerância e a capacidade de aceitar as escolhas dos outros. É um bom exercício para percebermos quais são os paradigmas pelos quais nos regemos.

Ainda hoje a sociedade e os meios de comunicação nos impõem uma “checklist” daquilo que o indivíduo precisa ser, ter e fazer ao longo da vida para poder um dia ambicionar ser feliz.

Entre a vida de Isabel e de Larry existe um contraste radical, um fosso colossal que não é mais que uma exposição entre o alcançar da felicidade conseguida através dos bens materiais e do prestígio social versus o alcançar da mesma, mas através do crescimento espiritual e consequentemente do despojamento do dinheiro como sinónimo de liberdade.

No final, o autor denota que não escreveu nada mais que “uma história de triunfos” pois todas as personagens acabaram conseguindo o que pretendiam ao longo da vida – seja um emprego bem remunerado das 9h às 18h, um despertar espiritual ou até mesmo a morte.

 

Capa do livro "O Fio da Navalha"   Livro "O Fio da Navalha"Livro "O Fio da Navalha"