A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares – Ransom Riggs

 

A infância de Jacob é passada a ouvir as histórias do seu avô, sobre um orfanato numa ilha remota e sobre as crianças peculiares que lá viviam juntamente com a directora Peregrine. No entanto, Jacob sempre duvidou da sua real existência especialmente por causa das estranhas fotografias que o seu avô guardava. Após um evento trágico e de forma a poder saber mais sobre o passado do seu avô, Jacob decide rumar a esta ilha remota da Escócia, na esperança de encontrar estas crianças extraordinárias.

 

No interior encontravam-se as fotografias que eu tão bem conhecia: o rapaz invisível, a rapariga a levitar, o levanta-pedregulhos, o homem com o rosto pintado na parte de trás da cabeça. Estavam quebradiças e a descamar – eram também mais pequenas do que eu me lembrava – e ao olhar para elas, já quase um adulto, dei-me conta de como era flagrante a falsificação.

O meu avô descrevera-a uma centena de vezes, mas nas suas histórias a casa fora sempre um local animado e feliz – grande e desconexo, sim, mas cheio de luz e risos. O que se erguia diante de mim naquele momento não era um abrigo contra os monstros, mas um monstro em si, observando a presa do seu poleiro com uma certa fome. Árvores irrompiam de janelas partidas e cascas de uma trepadeira rugosa corroíam as paredes quais anticorpos a atacar um vírus -, mas a casa parecia impossível de matar, erguendo-se determinadamente apesar da inexatidão de ângulos e dos recortes denteados de céu visíveis através de secções do telhado desabado.

Havia, por exemplo, a fotografia de duas jovens que posavam diante de um pano de fundo pintado de oceano que estava longe de ser convincente. Embora não fosse em si nada de muito estranho, o perturbador era a forma como posavam. Estavam ambas de costas voltadas para a máquina.